Sunday, March 09
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#225 Walk the Earth


posted 1 month ago

"Há apenas dois lugares possíveis para uma pessoa. A família é um deles. O outro é o mundo inteiro. Às vezes não é tão fácil saber em qual dos dois estamos,"

Sunday, February 23
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#224 Goldfish in a Bowl


posted 1 month ago

“We don’t recognize each other because other people have become our permanent mirrors. If we actually realized this, if we were able to become aware of the fact that we are only ever looking at ourselves in the other person, that we are alone in the wilderness, we would go crazy.” 

Saturday, February 15
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#223 Him


posted 2 months ago

"Maybe that would have filled this tiny little hole in my heart, but probably not… and sometimes I think I have felt everything I’m ever gonna feel, and from here on out I’m not gonna feel anything new… just… lesser versions of what I’ve already felt.”

Wednesday, January 22
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#222 Sea Wolf


posted 3 months ago

"…we want to live and move, though we have no reason to, because it happens that it is the nature of life to live and move, to want to live and move. If it were not for this, life would be dead. It is because of this life that is in you that you dream of your immortality.”

I’ve decided to live.

Wednesday, November 27
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#221 No estômago


posted 4 months ago

“De repente me pergunto por que tenho de contar isto, mas se a gente  começa a se perguntar por que faz tudo o que faz, se a gente se pergunta  apenas por que aceita um convite para jantar (agora, passa uma pomba, e  parece que um pardal) ou por que quando alguém nos contou um bom  caso, em seguida surge como uma cócega no estômago e não dá para  ficar tranquilo até entrar no escritório aí do lado e contar adiante a mesma história; só então a gente se sente bem, contente, e pode voltar ao trabalho. Que eu saiba ninguém explicou isso, portanto, o melhor é deixar os pudores de lado e contar, porque afinal ninguém se envergonha de respirar ou calçar sapatos; são coisas que a gente faz e quando acontece alguma coisa estranha, quando encontramos dentro do sapato uma aranha ou ao respirar nos sentimos como um vidro quebrado, então é preciso contar o que aconteceu, contar aos rapazes do escritório ou ao médico. Ai, doutor, cada vez que respiro…Sempre contar, sempre livrar-se dessa cócega incômoda no estômago.

 

Cortázar em 1959, mas podia ser 2013.

Saturday, August 03
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#220 Sonhos


posted 8 months ago

"Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse — "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria — "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse — e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse — “por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago — mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina”.

E quando todos me perguntassem — “mas de onde é que você tirou essa história?” — eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história…”.

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.”

- Rubem Braga

Tuesday, July 30
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#219 To Be Free


posted 8 months ago

"I wish I could share. All the love that’s in my heart"

Wednesday, May 15
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#218 This Is Water


posted 11 months ago

THIS IS WATER - By David Foster Wallace from The Glossary on Vimeo.

"There are these two young fish swimming along and they happen to meet an older fish swimming the other way, who nods at them and says "Morning, boys. How’s the water?" And the two young fish swim on for a bit, and then eventually one of them looks over at the other and goes 'What the hell is water?’
(…)
Here is just one example of the total wrongness of something I tend to be automatically sure of: everything in my own immediate experience supports my deep belief that I am the absolute center of the universe; the realist, most vivid and important person in existence. We rarely think about this sort of natural, basic self-centeredness because it’s so socially repulsive. But it’s pretty much the same for all of us. It is our default setting, hard-wired into our boards at birth. Think about it: there is no experience you have had that you are not the absolute center of. The world as you experience it is there in front of YOU or behind YOU, to the left or right of YOU, on YOUR TV or YOUR monitor. And so on. Other people’s thoughts and feelings have to be communicated to you somehow, but your own are so immediate, urgent, real. (…)
The only thing that’s capital-T True is that you get to decide how you’re gonna try to see it. This, I submit, is the freedom of a real education, of learning how to be well-adjusted. You get to consciously decide what has meaning and what doesn’t. You get to decide what to worship. (…) Worship power, you will end up feeling weak and afraid, and you will need ever more power over others to numb you to your own fear. Worship your intellect, being seen as smart, you will end up feeling stupid, a fraud, always on the verge of being found out. But the insidious thing about these forms of worship is not that they’re evil or sinful, it’s that they’re unconscious. They are default settings.
(…)
The really important kind of freedom involves attention and awareness and discipline, and being able truly to care about other people and to sacrifice for them over and over in myriad petty, unsexy ways every day. That is real freedom. That is being educated, and understanding how to think. The alternative is unconsciousness, the default setting, the rat race, the constant gnawing sense of having had, and lost, some infinite thing.
(…)
The capital-T Truth is about life BEFORE death. 
It is about the real value of a real education, which has almost nothing to do with knowledge, and everything to do with simple awareness; awareness of what is so real and essential, so hidden in plain sight all around us, all the time, that we have to keep reminding ourselves over and over: 

"This is water."

Sunday, April 28
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#217 O desaparecimento do verão


posted 12 months ago

Trinta e um dias em que aguardo. Eu, que sou movida pela mudança, aguardo. Enumero mentalmente todas as coisas que esperam silenciosamente em uma lista. Novos móveis para serem comprados, cores de parede para serem escolhidas, os metros quadrados que reservarei para quem não vem. Enquanto não chegam, impaciento-me, canso-me mais rapidamente, fico cada vez mais intolerante. Esperando. Suponho que seja consequência de um item de outra das minhas listas: aprender a aguardar. Compro mais livros, sem conseguir terminar os anteriores, faz frio e eu já não gosto mais das minhas roupas. Poderia cortar o cabelo, mas não quero me dar ao trabalho de ter que me acostumar com um novo rosto. As pessoas perdem a cor quando é outono. Faltam trinta e um dias e eu não tenho para onde fugir.

Saturday, March 23
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#216 Sent


posted 1 year ago

Você vai e eu fico. Ou como nas outras vezes, você se fixa e eu que fico à deriva. Penso na nova rua que você chamará de sua, nos novos rostos que você chamará de amigos, no novo caminho para casa, cheio de árvores e concreto, que você aprenderá a fazer de olhos fechados. E sorrio. Que outro tipo de vida você poderia ter que não fosse calma, simples e bela? Continuo a te escrever, como se um pequeno, porém, importante pedaço de mim estivesse em outro continente e ainda precisasse ouvir palavras minhas. Como forma de me ler melhor. Separamo-nos porque não há outro movimento mais natural para as pessoas que nos tornamos, sempre buscando a mais bela música, as mais intensas cores, o melhor fiapo da vida. Continuo a te escrever como forma de não nos esquecermos. Em papéis brancos ou invisíveis e virtuais, tão instantâneos que não chegam a captar a palavra saudade. Sempre aqui.