#164 Sorry
Esqueço todos os dias, progressivamente, até quando as noites revoltam o escuro, continuo apagando. Minha cabeça range, a porta dói. Ela bate uma, duas, vezes até as dez da noite, quando meus olhos fecham sozinhos, sem você ter que pedir. Ele pergunta tudo sem querer responder, não encontrando meu olhar que corre pra rua, perde sentidos. Faltam cinco. Sem ouvir cheirar sentir e escutar suas palavras. Deixo cair nessa amnésia branca, um eco infinito, desenhado pela sua poesia desafinada. Não viro chave, não consigo passar pela janela, traduzir suas mãos, decorar seus gestos. Seu nome é adjetivo, sou verbo, esperar, esperar. Pisque. Caia. Grite um grito quente, espinhoso. Não recue sua voz dentro de mim. Deixe que eu amarre seu cadarço, penteie seus cabelos, te ponha na cama. Quero dormir com seu sorriso. De madrugada só.