Tuesday, April 27
#166 Prenderte Fuego
Pisco no vazio das quatro da manhã, acordo quando acaba a luz, todos dormem e ninguém sabe, mas a garganta pede água e descubro a ausência, não há energia, como se tivesse fugido com o último som da TV, sozinha partiu, dormiu com o barulho da lua crescente sorrindo das mãos que não tem outras para segurar, apenas o frio controle remoto, controlados seus sonhos, dorme no eco, na ilusão de que alguém chama, sabe o nome e espera, mas não grita, o futuro são cravos ressecados numa lapela de granito, sem dentes amarelos, nem a isso terá direito, nem a chuva, padecerá num corredor com luz de supermercado, numa gaveta, como meias que ninguém se dá ao trabalho de costurar, eu vou te deixar… eu vou te apagar.