/ Autocrítica
#167 In Definitivo

Definição. Definir, dar formas, um fim. Definitivo não, infinitamente. Infinalizado. Defino assim: i’m fine.
#160 Splendid Suns

Longe. É o quanto a minha garganta alcança, até onde os meus pés conseguem fugir e a minha cabeça ficar - martelando uma música interminável que toca no rádio, que balbucia palavras ao léu, como essas, como outras, como sonhos dos quais eu me lembro durante o dia olhando para você sem saber, se é de dia já, ou se a suspeita é doença, tênue linha entre o que temos e o que seríamos se eu não fosse tola e acreditasse no que sussurram suas flores - brancas, mentirosas, tristes - estou toda dormente e já passam das 10 da noite, o som ainda não acabou, o telefone está à espera e eu ainda cogito. Outono.
#131 A Long Way Down

“The trouble with my generation is that we all think we’re fucking geniuses. Making something isn’t good enough for us, and neither is selling something, or teaching something, or even just doing something; we have to be something. It’s our inalienable right, as citizens of the twenty-first century.”
JJ, on Nick Hornby’s “A Long Way Down”.
#121 In Theory
A impossibilidade. Então o mundo é um ponto, e como vírgulas sonhamos um parágrafo. Único, satisfeito e solitário. Da fantasia, o que resta são esconderijos e presentes que nunca abrimos. E se você pensar com muita força, explode. Voltemos ao início. Rezo para o tempo que é um círculo, ele volta? Tudo sim.
“Un-learn everything you know, and let him teach you”
#072 Under Rug Swept
Pra baixo, pros lados, pra qualquer lugar. Longe de mim. Eu não caibo mais nessas roupas, nessas palavras que você colou em mim. Eu rasgo tudo. Desapeguei-me de sentimentos marcados por esperas, abrigos, muletas. Caminho só, pode me acompanhar. Não faço questão. Falo bem do mundo, quero bem pra mim. Gosto de quase tudo. Aprendo domingo, resgato as quartas e quero as sextas. Serei assim por semanas, eternidades. Por hoje basta.
#011 Sinto Vergonha de Mim
Senado aprova MPs que aumentam salários de servidores
~ Como se explica isso? Como se explica? (…) É inacreditável, espantoso. E mais ainda porque ninguém reclama ~
De Arnaldo Jabor.
Reclamo para os cantos, para as paredes, para os muros. Mas que faço, Jabor? Queimo meu corpo, algemo-me à grades? Rir-se-ão. Da minha cara, da minha inocência, da minha arrogância. De achar que meu discurso mudará uma frase dessa história.
A minha geração não conhece tanques, bombas, gritos de protesto. Nós não sabemos como criar motins. A nossa revolução é no mundo imaginário da web. Nossas vozes se perdem na rede, na falha de uma conexão. Minha bandeira se esconde em um perfil falso, meus companheiros não têm rosto e eu tenho medo.
Sinto vergonha de minha ignorância. Pouco conheço de Marx e Engels, menos ainda dos movimentos populares do século passado. Minha poesia é analfabeta, meu grito é rouco. E eu sinto vergonha de mim.
#003 Ensaio Sobre a Cegueira
Enquanto o mundo explode, dormimos no silêncio do bairro. Já não vemos e fingimos essa ternura burguesa, essa compaixão comprada nos Jardins. Sejamos castigados. O que farei com esses centavos, se não os jogar pelas janelas, bueiros e ralos? Só me restam cacos, desvio olhares, tenho medo de fitá-los. Olho. Temo ver espelhos, e se os racho?
Fechando os olhos e mordendo os lábios,
Sinto vontade de fazer muita coisa….