/ Cinema
#203 Medianeras
São oito da noite e ficou tarde para jantar. Claro que estamos cansados, trabalhamos muito além das nossas quarenta horas semanais, como sempre. Ficarei com o meu chá quente lendo todos os artigos que guardei para o final de semana. Você também passará a noite em frente ao computador, escrevendo aquilo que não consegue falar sem um copo de cerveja na mão ou uma tela dividindo você e o seu interlocutor. É mais fácil assim. Logo seremos aquelas pessoas que se dão feliz aniversário virtualmente, tentando lembrar entre as quarenta e três amizades em comum, qual foi a que nos apresentou. Os silêncios vão ser maiores e nem teremos a novela como assunto em comum. Estaremos sempre ausentes ou ocupados um para o outro, e nem nos importaremos com isso. Sempre haverá uma nova viagem, um novo emprego, alguém novo ligeiramente interessante. O trânsito da cidade vai nos separar. Vamos pular de relacionamento em relacionamento, perguntando-nos se restará alguém para quem voltar, um lugar sem filas para onde ir. Talvez eu te encontre em alguma foto antiga e então, só então, sinta falta de quando tínhamos um horizonte inteiro disponível para nós. Rotas impossíveis, festas irresistíveis, manhãs sem despertador. E nunca era tarde para nada.
#173 My Imaginarium
Quero tomar sorvete no café da manhã, com uma coca-cola talvez. Uma vaca preta junto ao sol. Me levar num guarda-chuva, sem gravidade. Uma cobertura com nuvens de algodão, recheio de arco-íris, andares de girassol. Córrego por você. Rio muito alto, quase morro, num vale. E renasço milhões de vezes. Como cachoeira.
#168 Viajo Porque Preciso
A câmera fotográfica se mantem suspensa, o filme fechado, mal saídos da caixa. E mais pilhas de planos, rabiscos. Tantos. Coisas do mundo todo sobre a minha mesa e eu não sei porque te escrevo. Queria te falar do céu da cidade, como ele muda todos os dias e renova meu estoque de nomes. Azul, anil, branco, nublado, aerado, em erosão… Substantivos preferidos. Os outros nomes eu tendo a apagar diariamente. As pessoas perdem sua cor, suas formas, você não. E é desse lado que eu fico. Renovando a minha paixão pelas paisagens, em qualquer quinhão do mundo. No mundo.
#59 Wake Up
“If the children don’t grow up,
our bodies get bigger but our hearts get torn up.”
Outubro nunca pareceu tão longe. Where the Wild Things Are só no dia 16, para celebrar o dia das crianças. Eu já sei o que vou pedir de presente…
:o)