/ Música
Thursday, May 17
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#208 Da Palavra


posted 1 week ago

E da vida.

“…que não esqueça que a subida mais escarpada e mais à merce dos ventos é sorrir de alegria.”

Sunday, September 18
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#201 Heaven can’t wait


posted 8 months ago


She’s sliding down to the depth of the world.
She’s hiding on a battleship of baggage and bones.
And they’re trying to drive that escalator into the ground. 

Tuesday, August 30
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#200 Andares


posted 9 months ago



Saudade - diz minha vizinha do décimo andar. Acabava de se aposentar e acho que se acostumara a dizer saudade pra tudo. Saudade, era o que dizia para seus alunos quandos os encontrava na rua. Saudade era o que dizia para os pais dos seus alunos, para as suas ex-colegas, ou quando lembrava da textura da maçaneta da porta da sua sala de aula. Suspirava saudade até para as plantas que já não cresciam mais no seu jardim improvisado, que morria de tanto ser aguado. Comprava pães a mais, inventava idas a costureira, não conseguia completar cruzadinhas porém. Cheia de saudades, já nao prestava atenção em quantas vezes regava suas plantas, perdida no calendário, esvaziava seus dias. Tornara-se seu cumprimento, e pela força do hábito, foi assim que me saudou quando abri a porta do elevador e lhe sorri com meus vinte e poucos anos e mochila nas costas. O que diria se não vivesse num pais de língua portuguesa e não tivesse esta palavra para expressar sua existência? Nostalgia, tristeza, melancolia? Solidão.

Monday, June 13
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#197 Norwegian Wood


posted 11 months ago


“Wake up,” it says. “I’m still here. Wake up and think about it. Think about way I’m still here.” The kicking never hurts me. There’s no pain at all. Just a hollow sound that echoes with each kick. And even that is bound to fade one day.

Monday, April 18
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#196 Run (Away)


posted 1 year ago


Minha mesa, minha caneca de café, meu caminho a pé. Minha lista de pendências garranchadas em um caderno cheio de marcas de copo. Secretamente desejando manchar todas as folhas e não ter mais onde escrever. Meus montes de fios de gadgets, eletricidade e choque. Ainda assim, meus.

Sentirei falta das janelas, mas esquecerei seus contornos. Talvez lembre da música que escutava no caminho, do gosto do sorvete após o almoço, debaixo do sol, em cima do asfalto. Das noite de barriga vazia, esperando o táxi. Sentirei falta de sorrir pra você.

Meus amigos mudam sempre de emprego, outros ficam décadas, outros decidem ficar em algum país distante. Eu brinco de ver horários e itinerários de viagens aleatórias em fins de semana de verão. É sempre verão em alguma cidade. Te encontro no horizonte.

Thursday, March 24
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#195 Quereres


posted 1 year ago



~ Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim ~

Sunday, January 09
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#191 Travel & Trunks


posted 1 year ago


Gente casando, engravidando, aprendendo francês e mudando pra Suécia. Gente que empurra o mundo e faz ele rodar com força ainda maior. Gente que me dá saudade.

Por aqui tudo correndo também, às vezes chove e fica sem cor, mas tudo bem. O céu não vai esperar pela gente. Ontem caminhei pela nossa rua sob uma garoa fina. Estava cinza e sem carros, melancolicamente bonita. Assisti um filme argentino, tomei café amargo, lembrei de você.

Senti com toda a força do mundo os vinte e cinco anos que todos insistem em dizer que são tão poucos. O que falta não me basta. Fiquemos mais, é cedo ainda.

Wednesday, November 03
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#189 Vexillographica


posted 1 year ago



Os passos soam fundos num chão ausente de flores da primavera.
Não estão nos galhos e os meses já se foram.
Onde estão suas cores se não na terra.
Junto com os cabelos que eu não cortei, com o espelho que nunca mudou.
Se não está debaixo dos meus pés, pra onde foi a estação.
Se eu queria verão.
Ou não, só queria ver passar o tempo, andando em mim.
Onde está o que eu ia repetir. 
O céu é pálido, as mãos são indecisas.
É preciso correr.

Sunday, June 06
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#174 Feet First


posted 1 year ago



Atar os cintos, posição vertical, verificar pertences. Em caso de urgência, não entre em pânico. Azul azul azul. Quase perco a visão. Onde os pássaros não alcançam, onde perdem as asas e o gosto de céu. Quando nascem as nuvens. A janela caminha para o sol e desmancha em violeta. Escorrego no horizonte. Longe. Nos aproximamos. Barulho, tristeza e só, em aterrissagem segura. Voltamos. Desatar cintos, ligar equipamentos, voltamos. De novo.

Saturday, May 15
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#170 Laughing Heart


posted 2 years ago


Pintava as unhas de céu, porque não podia segurar as nuvens, vertia chuvas. Corria pelos ponteiros do relógio, fugindo entre as horas. Era uma mentira que caminhava, que sorria, que dava bom-dia as flores, mas calava debaixo do sol. E algum dia seria engolida pelo horizonte. Viraria endorfina.