/ Poesia
#208 Da Palavra
E da vida.
“…que não esqueça que a subida mais escarpada e mais à merce dos ventos é sorrir de alegria.”
#205 Summer Sonettino

Seduced and betrayed by words.
The world is a hopeless mess.
My heart is bruised and hurt.
My soul can’t bear such treason.
My body couldn’t care less.
My thoughts won’t go into verse,
my verse refuses to rhyme,
my rhymes are adverse to reason,
and reason’s deserted my mind.
Lust is in full season.
My poetry is on the ropes.
My life isn’t any better.
There is no good. No hope.
Hmm. Great beach weather.
- Paulo Henriques Britto
#204 Burning Bright
“Give the people contests they win by remembering the words to more popular songs or the names of state capitals or how much corn Iowa grew last year. Cram them full of noncombustible data, chock them so damned full of ‘facts’ they feel stuffed, but absolutely thinking, they’ll get a sense of motion without moving. And they’ll be happy, because facts of that sort don’t change. Don’t give them any slippery stuff like philosophy or sociology to tie things up with. That way lies melancholy.”
“Those who don’t build must burn.”
#201 Heaven can’t wait
She’s sliding down to the depth of the world.
She’s hiding on a battleship of baggage and bones.
And they’re trying to drive that escalator into the ground.
#193 Intersecção
“Sou um andante. Carrego comigo o fardo do meu passado. Minha bagagem são os meus sonhos. Como meus ciclistas, cruzo desertos e busco horizontes que recuam e se apagam nas brumas da incerteza. Realidade e miragem se confundem.”
- Iberê Camargo
#175 Momentum

“Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadamente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, transparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes.”
Saramago In Manual de Pintura e Caligrafia, Ed. Caminho, 6.ª ed., p. 291
#171 Resposta
~ Que barulho é esse que eu sinto nas coisas e dentro de mim? ~
Eu te procuro nos rostos, nos colos, nos muros com palavrões. Com amor. Eu te busco nos gestos, na gente que passa, naquilo que se debate. Em todos os mapas, nos nomes antigos. Jogo a isca num poço profundo, mas só há silêncio, um negativo. E eu quero escutar seu grito, socorro, um abrigo. Por favor. No escuro que se estende, derrotado o dia em cada dia. Mas não te acho, nem mercúrio, só procuro. Eu não me curo, te expulso como praga. Me apaga. E me contamina como essa poesia, que não se cala nunca. Um absurdo.
