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Tuesday, January 10
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#205 Summer Sonettino


posted 4 months ago



Seduced and betrayed by words.
The world is a hopeless mess.
My heart is bruised and hurt.
My soul can’t bear such treason.
My body couldn’t care less.

My thoughts won’t go into verse,
my verse refuses to rhyme,
my rhymes are adverse to reason,
and reason’s deserted my mind.
Lust is in full season.

My poetry is on the ropes.
My life isn’t any better.
There is no good. No hope.
Hmm. Great beach weather.

- Paulo Henriques Britto 

Saturday, October 01
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#202 Por el camino


posted 8 months ago

“Já estou aqui há quatro meses e, ontem à noite, ao fazer um balanço mental desse período, percebi a familiaridade incrível com que me movo neste mundo. É aí que está o perigo. É agora que devo vigiar minha visão, a forma de me colocar diante de coisas que venho conhecendo cada vez melhor; é agora que devo impedir que os conceitos escamoteiem minhas vivências. Seria terrível (não me aconteceu, por sorte) eu ter um dia que passar às pressas diante de Notre-Dame e só dar aquela olhada distraída que se dedica a bancos ou a casas para alugar. Quero que a maravilha da primeira vez seja sempre a recompensa para o meu olhar. Posso me dar ao luxo de passar perto do Museu Cluny e pensar comigo: ‘Vou entrar outro dia.’ Mas entrar ali tem de continuar sendo uma coisa séria, última, o motivo verdadeiro de minha presença em Paris. Nós rimos dos turistas, mas juro que eu quero ser turista em Paris até o fim, ser o homem que anota na agenda: quinta-feira, ir ver o São Sebastião, de Mantegna… É horrível perceber a cada minuto como as faculdades intelectuais transbordam sobre as intuições puras, tentando esquematizar o mundo… “

Júlio Cortázar em correspondência com Eduardo de Jonquières. 

Monday, April 18
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#196 Run (Away)


posted 1 year ago


Minha mesa, minha caneca de café, meu caminho a pé. Minha lista de pendências garranchadas em um caderno cheio de marcas de copo. Secretamente desejando manchar todas as folhas e não ter mais onde escrever. Meus montes de fios de gadgets, eletricidade e choque. Ainda assim, meus.

Sentirei falta das janelas, mas esquecerei seus contornos. Talvez lembre da música que escutava no caminho, do gosto do sorvete após o almoço, debaixo do sol, em cima do asfalto. Das noite de barriga vazia, esperando o táxi. Sentirei falta de sorrir pra você.

Meus amigos mudam sempre de emprego, outros ficam décadas, outros decidem ficar em algum país distante. Eu brinco de ver horários e itinerários de viagens aleatórias em fins de semana de verão. É sempre verão em alguma cidade. Te encontro no horizonte.