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Wednesday, December 09
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#135 Feeling Good


posted 1 week ago



~Blossom on the tree you know how I feel~


Eu perdi as contas de dezembro. Esperando por flores que nunca caíram do céu, lençóis se desfizeram e voltaram para o armário. Arrancaram folhas, dias, feiras do calendário. Estou bem sem você. Andando pelo meio fio, minha saia, meus olhares. Perco o que ia dizer, palavras que rasgo em cartas. Atenciosamente. Te deixo meu afeto, o que resta de sinceridade. Freedom is mine.

Monday, December 07
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#134 Délicatesse


posted 1 week ago

Nos fios elétricos dos bondes, na calçada acinzentada. Quero fugir num par de antenas parabólicas. Nada encontrar entre andares, parapeitos, escadas movediças. Para errar por balões coloridos, no calor de uma tarde sem data. Sem horário de verão. Num outdoor rabiscar poemas, rosas, ventos que nunca param. Não há lugar como o abraço desse azul que me engole, zunindo sonhos num plano infinito. Avião de cores tortas. Há gentileza, há delicadeza. E um vaso com girassol.

Saturday, November 21
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#129 Não identificado


posted 3 weeks ago



Queria seus sapatos gravatas meias palavras
Mas assim, ficaria
E para o mundo, eu sou.

Saturday, November 14
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#128 No terremoto


posted 1 month ago



Fazia um sol arrepiante nos olhos e sorrisos da moçada. Gente boa que ali se reunia, crianças eternas e gente grande em suas cadeiras impossíveis. Nas caixas de som, James Brown cantava a pleno pulmão o quanto se sentia bem. E eu também. Tinhas braços e pernas e o meu pensamento mesmo que torto. Podia atravessa o Pacífico, pedalar no Adriático. Mas ficava ali. Me alumiando.


Sunday, November 08
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#125 Do Tempo


posted 1 month ago

Reencontrei-me três vezes essa semana.

No ex-trabalho, com ex-colegas, na minha ex-mesa. Despedi-me mais uma vez daquela ex-pessoa que ainda tinha muita certeza. Eu não tenho mais. Percorrendo aqueles corredores que não exalavam mais nada, nostalgia e produto de limpeza. Pra nada.

Na faculdade, revi professores, elevadores, cadeiras erradas. Dei adeus antes de entrar. Não encontrei aqueles sonhos rabiscados nas paredes, nas janelas. Ficou tudo pra trás como um devaneio bom. Sinceridade também, não deixou bilhete algum. Pra ninguém.

E no parque de diversões, reencontrei-me criança, algodão doce, carrossel e postes coloridos. Mas era a maçã do amor que queria ver. Aquela que eu tanto quis, por egoísmo. Como sempre. Essa foi a que mais tive medo de rever. Vermelha, reluzente e mentirosa. Pra quem.

Em ciclos, despeço-me. Não quero retorno. Esse fio se parte, mas não se esgota enquanto eu não te vir. Até logo.

Thursday, October 29
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#121 In Theory


posted 1 month ago



A impossibilidade. Então o mundo é um ponto, e como vírgulas sonhamos um parágrafo. Único, satisfeito e solitário. Da fantasia, o que resta são esconderijos e presentes que nunca abrimos. E se você pensar com muita força, explode. Voltemos ao início. Rezo para o tempo que é um círculo, ele volta? Tudo sim.

“Un-learn everything you know, and let him teach you”

Tuesday, October 27
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#120 Pacaya


posted 1 month ago



Comecei como todo mundo, em um passo assustado. Vertigem do vale, da constelação. E agora sonho com Tikal, Los Roques, Pacaya. Suspiro uma saudade que é a brisa do Pacífico. Céus mais coloridos, corações abertos em forma de oceano. E o meu relógio é o sol.

Sunday, October 25
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#118 Orange


posted 1 month ago



Comprei bananas prata, maçãs gala e insisti nas assustadoras cenouras baby. Que apesar de 100%  naturais, orgânicas e sem agrotóxicos, têm o formato absurdamente perfeito e inatural para uma cenoura. De qualquer forma, as levei para casa. Também não acredito em tantas outras coisas e acabo comprando-as. Discos, livros, promessas. Por sorte, sempre se pode descarta-las e esperar que alguém as recicle. Delegar afeto. Larguei-as na geladeira, solitárias em sua laranjidão. Por um momento, tive pena de sua timidez naquele ambiente frio e pouco amigável. Afinal, eram apenas bebês cenouras. Cerrei-as. E por muito tempo fiquei a pensar naquilo, o que seria senão amor? Uma compaixão imensa talvez. Chega-se a amar alguma coisa que não fala, não emite sorrisos, não conhece poesia? Certamente. E encerrando a questão, consumi toda uma infância em uma salada perfeitamente decorada. Com cenouras baby, naturalmente.

Thursday, October 22
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#116 Mouthwash


posted 1 month ago



Esse é meu corpo, coberto de pele, mas nem tudo você pode ver.

Essa é minha cabeça: caraminholas e covardias. Tudo que não cabe em mim.
Essa sou eu. Cheia de certezas, mas de você eu não sei.

I hope everything is gonna be alright.

Sunday, October 18
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#115 De la Paix


posted 1 month ago



Ainda que do céu caíssem agulhas, inventaria histórias de doce-de-leite. E estrelas de Havanna. Pintaria minhas unhas de todas as cores e meu rosto com tinta guache, como antes e como nunca. Meus nomes seriam Pink Fluor, Laranja Pôr-do-sol, Rosa Ipanema. Nossos versos. Decidi que te escreveria uma carta e te entregaria em forma de viagem. A língua que apenas nós entendemos. E mesmo que você não escute, saberá que fiz um gesto em sua homenagem. Carregarei essas flores mais um pouco, e que você bem-queira o mundo como estou, como sou. Não padeceremos.

A vida é boa quando se decide ser.