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#031 Change
“Donde saiu este homem?” 
“Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida.”

“No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.”
Letras de Saramago, fotos de Abdulaziz.
#011 Sinto Vergonha de Mim
Senado aprova MPs que aumentam salários de servidores
~ Como se explica isso? Como se explica? (…) É inacreditável, espantoso. E mais ainda porque ninguém reclama ~
De Arnaldo Jabor.
Reclamo para os cantos, para as paredes, para os muros. Mas que faço, Jabor? Queimo meu corpo, algemo-me à grades? Rir-se-ão. Da minha cara, da minha inocência, da minha arrogância. De achar que meu discurso mudará uma frase dessa história.
A minha geração não conhece tanques, bombas, gritos de protesto. Nós não sabemos como criar motins. A nossa revolução é no mundo imaginário da web. Nossas vozes se perdem na rede, na falha de uma conexão. Minha bandeira se esconde em um perfil falso, meus companheiros não têm rosto e eu tenho medo.
Sinto vergonha de minha ignorância. Pouco conheço de Marx e Engels, menos ainda dos movimentos populares do século passado. Minha poesia é analfabeta, meu grito é rouco. E eu sinto vergonha de mim.