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Wednesday, March 23
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#194 Bom dia


posted 1 year ago

- Bom dia - eu digo para as janelas.
Elas não respondem. 

E o dia começa. 

Sunday, January 09
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#191 Travel & Trunks


posted 1 year ago


Gente casando, engravidando, aprendendo francês e mudando pra Suécia. Gente que empurra o mundo e faz ele rodar com força ainda maior. Gente que me dá saudade.

Por aqui tudo correndo também, às vezes chove e fica sem cor, mas tudo bem. O céu não vai esperar pela gente. Ontem caminhei pela nossa rua sob uma garoa fina. Estava cinza e sem carros, melancolicamente bonita. Assisti um filme argentino, tomei café amargo, lembrei de você.

Senti com toda a força do mundo os vinte e cinco anos que todos insistem em dizer que são tão poucos. O que falta não me basta. Fiquemos mais, é cedo ainda.

Sunday, November 28
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#190 I find it hard to say


posted 1 year ago

Eu espero que você vá, conquiste o mundo as pessoas os lugares.  Eu espero que você continue vendo poesia nas formigas nos asfaltos nas cores do céu. No dia que acorda sem sentido claro. Eu espero que você continue sempre desperto, enquanto outros dormem. Eu espero que a sua história se complete. Que você volte. Choose well.

Eu espero.

Sunday, July 25
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#178 Before the Sunset


posted 1 year ago



Antes que o dia acabe, rabisque mais uma promessa. Antes que a minha memória se prenda, perca-se e apague o seu rosto. Eu vou te deixar num rastro. Vou deixar que chova em mim e faça sol e eu lembre pra te contar depois. Pra compartilhar na segunda pessoa, pra conjugar no plural. Será que as gotas esgotam em sessenta dias? Será que os dias se enchem de você? Antes que o sol escureça, eu te escrevo. Antes que o sol se apague, eu te sonho. With love.

Tuesday, July 06
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#177 O Outro, O Um.


posted 1 year ago

Eu lembro das primeiras palavras, de quando a gente não tinha olho pro outro, só o ouvido, que gostava das mesmas notas. Eu lembro de quando a gente aprendeu a escrever pro outro, copiando letras de formas desconhecidas. A gente era tímido da vida. O outro entendia o um, o pouco que a gente tinha, escondia mostrando. A gente foi crescendo querendo ser bom, e fomos bons? A gente podia ser tanta coisa que tinha medo de escolher. E se do outro lado fosse melhor? Eu lembro de quando a gente se afastou, o outro não brigou, era silêncio só. A gente sempre entendeu silêncio, era uma língua que a gente traduzia pra dentro. E esperava. A nossa pressa era com a gente, do outro se tinha certeza. Eu fui embora e te escrevia. Os anos, os dias, as formigas. O outro perguntava como era pensar em outra língua, numa ilha à deriva. Como era? Eu era outra. A volta era sempre diferente, a gente não falava muito. Ouvia música, falava poesia, e era noite. Eu lembro que esquecia. Mas o outro lembrava. Como se missão fosse, dever de casa. Tinha um jeito de relembrar sorrisos e costurar palavras, uns nós nos outros. Como se fosse fosse durar pra sempre, o vento. Um jeito de me soprar na direção correta.

Amovocê. Apesar de tudo, e por isso mesmo.
=)

Saturday, May 08
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#168 Viajo Porque Preciso


posted 2 years ago



A câmera fotográfica se mantem suspensa, o filme fechado, mal saídos da caixa. E mais pilhas de planos, rabiscos. Tantos. Coisas do mundo todo sobre a minha mesa e eu não sei porque te escrevo. Queria te falar do céu da cidade, como ele muda todos os dias e renova meu estoque de nomes. Azul, anil, branco, nublado, aerado, em erosão… Substantivos preferidos. Os outros nomes eu tendo a apagar diariamente. As pessoas perdem sua cor, suas formas, você não. E é desse lado que eu fico. Renovando a minha paixão pelas paisagens, em qualquer quinhão do mundo. No mundo.

Saturday, October 24
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#117 Resposta pra ninguém


posted 2 years ago



Tem uma porção de alegrias pincelando o meu calendário.
Mas tem coisas que ficam estampadas num sorriso, embora escondidas no dia a dia desse silêncio que se faz entre a gente. Meu querido, está tudo bem comigo e acho que você sabe. Um bem tão bom que eu sinto medo, porque a primavera já chega, o inverno vem apressado. Mas se te falo de cores, de sol e coisas que brilham é porque estou apaixonada pelo mundo. Aprendi a perdoá-lo. Como as crianças, as cartas que se escreve e não se envia. Passei a acreditar nos  gestos, nas delicadezas. Eu ainda quero uma casa, uma rede e quem sabe uma árvore no fundo. Mas tem esse mar imenso que me chama. Canta no meu ouvido quando eu durmo, sussura nomes pela manhã e grita em formas de raios de sol. E enquanto isso, fico a me repetir: temos tempo. Teremos. Guardo minhas recomendações para quando nos encontrarmos de novo e apagarmos essa saudade estranha. Antes do tempo nos alcançar, te deixo um beijo. Cuide bem de você.

Sunday, August 02
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#94 Non Spedite II


posted 2 years ago


Foi meu pai quem me ensinou a tomar gosto pelos ônibus de caminhos longos. Esses que dão voltas para pegar mais passageiros e evitar o congestionamento das grandes avenidas. Neles os motoristas são bons. Os cobradores não tem pressa, a gente não tem pressa. Meu pai pegava os de nome exótico, como se a gente de lá tivesse uma cara outra. Lausane, Peruche, Piqueri.

A gente daqui roda e roda num interminável caminho de ruas esgotadas. Em ondas, percorremos a cidade. Enormes braços que não se perdem, vagarosos como um velho em suas passadas. Francisco talvez. O mundo de repente anda quadrado feito cinema. As árvores choram, os muros se batem e eu decoro uma música silenciosa. A velha ronca ao meu lado. Esparramada no banco, esquecida de si. O ponto final é sempre um lugar longe. Uma margem que não se enxerga e se sonha. Com ele ainda sonho.

Monday, June 08
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#82 Samba Meu


posted 2 years ago

~Eu tentei mas não deu pra ficar sem você~


~Enjoei de tentar~

Thursday, June 04
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#79 Non Spedite


posted 2 years ago



João,
Sua rosa está guardada. Seca e semi-morta como você a deixou. Gostaria que ela sorrisse ainda, mas como falta água, peço que devolva meu colar. Aquele que esqueci entre lençóis e nunca encontrei. Deixo-te meu endereço. Se quiser, envie a cobrar. Entenderei.