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#193 Intersecção
“Sou um andante. Carrego comigo o fardo do meu passado. Minha bagagem são os meus sonhos. Como meus ciclistas, cruzo desertos e busco horizontes que recuam e se apagam nas brumas da incerteza. Realidade e miragem se confundem.”
- Iberê Camargo
#187 Lost in Translation

Doze horas pelo oceano, chego cinco horas na frente. No aeroporto de Frankfurt, o alemão é gritado pelos auto-falantes. Nomes, voôs, esperas que se embaralham com o meus pensamentos esparsos. O aeroporto de Frankfurt é um dos maiores do mundo e só o que se sente é a pequenez de ser. Cabeças loiras passeiam de lá pra cá. Caminho por elas, despedidas e declarações de amor condicional. Discordo de tudo. Quero o que é eterno, indefinitivo. Unendlich.
#186 Germinal

”O problema, porém, é que as receitas infalíveis são, para a liberdade, para a responsabilidade e a liberdade responsável, o que a água é para o fogo. […] E não há coisa alguma como uma liberdade sem ansiedade, embora, sendo este o sonho perene de tantos nós […] No todo, não é certo de modo algum o que a maior parte de nós teria preferido (se lhe fosse a escolha concedida): a ansiedade da liberdade ou o conforto da tal certeza que só a falta de liberdade pode oferecer? A questão, porém, é que a escolha não nos foi concedida, e é improvável que no-lo seja. A liberdade é o nosso destino: uma sorte de que não se pode desejar o afastamento e que não se vai embora por mais intensamente que possamos desviar dela os nossos olhos. Vivemos num mundo diversificado e polifônico, onde toda tentativa de inserir o consenso se mostra somente uma continuação do desacordo por outros meios.”
- Bauman.
#174 Feet First
Atar os cintos, posição vertical, verificar pertences. Em caso de urgência, não entre em pânico. Azul azul azul. Quase perco a visão. Onde os pássaros não alcançam, onde perdem as asas e o gosto de céu. Quando nascem as nuvens. A janela caminha para o sol e desmancha em violeta. Escorrego no horizonte. Longe. Nos aproximamos. Barulho, tristeza e só, em aterrissagem segura. Voltamos. Desatar cintos, ligar equipamentos, voltamos. De novo.
#172 Don’t You Want to Share the Guilt?

E daí que eu gosto de acordar cedo e tomar quatro canecas de café puro e que eu gosto das coisas muito doces e salgadas. Eu suporto o morno. Eu entendo o medo das pessoas, quando elas fingem não escutar. Abro portas, janelas e parei de trancar as fechaduras. Todos os planos do mundo e você não aparece em nenhuma lista. Coisas pra levar, pra resolver, lugares pra ver, dias pra preencher. Compro ingressos, devaneios. Mas a minha passagem tem volta.
That’s how I feel about you…
#165 Les eaux de Mars
São as águas de Marte, promessa de vida em nova estação. Vou saber do que sei, e o que eu não sei, o que eu não sei. Deixo pra depois.
I know, with me everything is fine.
I’m gonna run now
To reach the glory of my mind.
#153 Fevereiro Ausente
“Não nasci para fixar residência. Quando os lugares começam a tomar a forma de um lar, com cheiro e cores característicos, eu junto as minhas pequenas posses e vou-me embora como cheguei – com algum drama, um certo tumulto, uma comoção poética para marcar o rito da mudança. Vez ou outra me pego com um olhar comprido para paredes vazias e penso que gostaria de colar algumas fotografias, bilhetes e postais nelas. Penso também em como seria ter um copo onde eu pudesse deixar a minha escova de dentes. Então sou tomada por um impulso. Alguma coisa lá fora me chama. Uma inquietude, uma urgência, um comichão. É hora de ir. E eu vou. Nessa vida eu gosto mesmo é de ir embora.”
- Via Don’t Touch My Moleskine.

